Um fim em desarmonia com o desejo

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Um fim em desarmonia com o desejo

Um fim em desarmonia com o desejo? Este texto de Gustavo Giti é fantástico! Parece que todos nós que passamos por isto.. passamos pelas mesmas coisas… O novo título para a conclusão de tudo foi eu mesmo que resolvi colocar de acordo com minha compreensão.

Na foto um quarto em hotel no Deserto do Atacama.

Por que muitas relações acabam, sendo que ambos não querem terminar?

Dei uma entrevista para o UOL sobre separação e percebi que é um tema recorrente nos relatos da Cabana PdH. Então pensei em explorar um pouco isso, contando com a ajuda de vocês.

O meu foco aqui não são os términos benéficos, em que realmente um (ou ambos) deseja acabar, por liberdade, por saber que aquilo é melhor. O que me interessa são as relações que terminam por uma impossibilidade de realizar o que ambos desejam: continuar.

É curioso comparar o começo com o fim. Quando um casal se forma, quando aparece aquela aura em ambos (no dia em que se conhecem ou após anos de amizade), é como se duas boias se enroscassem num oceano imenso, dois papéis numa ventania.

No entanto, muitos casais conseguem fazer o impossível por algum tempo, provavelmente porque a força que eles geram internamente é maior que os estímulos externos. Eles voam ou surfam juntos de acordo com uma certa autonomia, um direcionamento interno. O problema é que dentro de nós há outro mar, outra ventania. E talvez seja esse o motivo de muitos fins…

Se a relação passa a ser conduzida por venenos e monstros (como insegurança, ciúme, medo, ansiedade, raiva), chega um ponto em que o casal não tem mais força para tomar uma direção conjunta e então eles cedem a impulsos, forças e direcionamentos alheios. Os monstros ganham.

Uma história que se repete…

Se ignorarmos os detalhes e os motivos específicos alegados, muitos términos seguem um mesmo roteiro:

1. Ela se sente mal (“sozinha” é o principal adjetivo), não fala nada, tenta algumas coisas, deixa a insatisfação crescer sem o cara saber – ainda que ela reclame, ele nunca entende a gravidade – e decide terminar.

2. Ela termina listando motivos que ela só enxerga por causa da insatisfação, motivos que não são a causa da insatisfação verdadeira, mas que confundem o cara, tiram o foco, distraem da causa principal: o fato de ela não estar se sentindo penetrada, cuidada e amada. E não só isso: esses motivos são flechas que destroem o cara, acabam com sua potência de seguir e virar o jogo, mudar o rumo da história.

3. Ao ver o cara acabado (e às vezes reativo), ela comprova: “Ele não me ama, ele aceitou o término em vez de vir com tudo pra cima e dizer que me ama”. Mesmo que o cara diga “Eu te amo” repetidas vezes, há um medo por trás, então elas sentem a fraqueza daquilo e invalidam a tentativa. 😉

4. Ele, por sua vez, acredita que ela não quer mais mesmo, pra valer, sendo que isso é mentira, claro. Ele pergunta: “Você tem certeza? Pensou bem?”. E ela: “Sim, acabou”. Ao acreditar nisso, ele baixa a cabeça e age de um modo a criar cada vez mais complicação em vez de agir como namorado ou marido, apontar o monstro e dizer “Eu te amo, admita logo que tudo isso é medo e vamos pra cama”.

5. Quanto mais ela comprova o fim, se distancia e sonha com um homem que viesse com tudo e a pegasse no colo, calando sua boca em vários níveis, mais ele fica fraco e incapaz de ser esse homem (principalmente quando esse cara existe e o marido descobre). Não é por acaso que é tão fácil conquistar mulheres nessa fase, após o fim ou mesmo durante um relacionamento enfraquecido na qual ela está insatisfeita. Basta ser esse homem. E digo o mesmo para o (ex)marido: basta ser esse homem.

A gente não tem noção de quantos relacionamentos acabam sendo que os dois querem continuar!

Durante uma separação dessas, o homem deveria pegá-la com tudo a qualquer momento. E é isso o que muitas mulheres secretamente desejam enquanto estão acabando a relação e listando os motivos do fim. Parece a coisa mais absurda, mas é verdade.

Se quem dita o término são aflições mentais (ciúme, raiva, insatisfação, carência, orgulho, medo, preguiça), cabe a nós não deixar isso acontecer, não baixar a cabeça para esses monstros que tentam definir nosso futuro. Mas é preciso ter o mínimo de estabilidade pra isso, senão a energia do momento é maior do que nossas forças. Daí a importância de um treinamento contínuo que nos prepara pra quando o bicho pega.

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Por |fevereiro 24th, 2020|Amago, Especiais, Game Over|0 Comentários

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